Série sobre a música em 1971 é viagem sonora, política e de atitude
13/10/2021 22:11 em Música

O espírito da série “1971: o Ano em que a Música Mudou Tudo”. O título ambicioso faz sentido. A Guerra do Vietnã foi um momento decisivo no século 20. As imagens que eram transmitidas pela TV chocaram o mundo. Mas Richard Nixon e a maioria silenciosa travavam uma guerra de imagens muito maior. Uma guerra entre estilos de vida, projetos de sociedade, domínios econômicos, políticos e sociais.

“Todas as noites na televisão eles vendem guerra e violência. John Wayne vende guerra desde que era criança. Tudo que eu tento fazer é conseguir mais espaço e músicas para igualar um pouco essa balança”, diz John Lennon, entre os acordes de “Imagine”, no meio do primeiro episódio.

Poucas vezes a música foi tão imagética quanto em 1971. O som revolucionário, as roupas que davam cores aos jovens, os cortes de cabelo, drogas. Tudo era uma descoberta, um posicionamento, um significado maior.

É o ano que Marvin Gaye lança “What’s Going On”. Impossível compreender a dimensão dessa música sem pensar na imagem de Marvin Gaye. Sem pensar no Vietnã, em racismo, no choque de gerações. “Imagine” ganha força quando olhamos nos olhos de John Lennon por trás das lentes redondas amarelas. Os Rolling Stones, George Harrison, Sly Stone, Jim Morrison, Carole King, Elton John, Joni Mitchell, Lou Reed, David Bowie. Todos são artistas que trazem muito mais do que canções.

A série “1971: o Ano em que a Música Mudou Tudo” compreende a força das imagens. Todos os episódios são feitos com imagens de arquivo. Não há um depoimento filmado hoje. A atmosfera das películas, a textura pixelada das imagens, tudo isso provoca uma imersão no espírito de uma época. A música se soma a esses elementos.

O diretor Asif Kapadia cria narrativas que contextualizam os acontecimentos sem didatismos. Cria uma rica experiência sonora, política e comportamental que amplia o significado das canções. É uma viagem.

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